
Enxaqueca: uma tempestade dentro da sua cabeça
A ciência ainda não pode explicar porque é que algumas pessoas sofrem de enxaqueca, mas saiba que ela pode tornar uma grande parte da sua vida numa tortura.
Você pode pressenti-la
Quando ela aparece, ou mesmo no dia anterior, pode sentir mudanças no seu comportamento. Pode estar irritado. Se as pessoas tentam falar consigo, responde-lhes mal ou, simplesmente, vira-lhes as costas. Fica mais lento e não consegue fazer nada o dia todo. Pode sentir-se cansado e indisposto e só deseja que o deixem em paz. Por vezes, será exactamente o oposto, ficará mais activo. Fará as coisas mais rapidamente, trabalhará com muito entusiasmo deixando as pessoas ao seu redor estonteadas com a sua agitação.
Também poderá, repentinamente, ter uma fome terrível ou um desejo específico de um determinado tipo de alimentos. Poderá ter uma alteração das sensações do olfacto e do paladar, tanto no que toca ao aumento da sensibilidade como à sua diminuição; por exemplo, o perfume do sabonete parecer-lhe-á mais ou menos intenso do que é habitual. Seguidamente, inicia-se uma dor pulsátil na sua cabeça.
Há uma tempestade na sua cabeça?
Sente que vai ficar doente. Sente-se nauseado ou vomita. Eventualmente pode ver estrelas, ou luzes que parecem relâmpagos e a visão fica perturbada. Parece que o mundo está a girar à sua volta ou sente-se tonto. Algumas vezes pode sentir uma diminuição da sensibilidade de uma parte do seu corpo (geralmente um membro) ou perder o controlo dos movimentos. Acompanhando isto há uma terrível dor de cabeça. Não tolera a luminosidade, os mais leves ruídos perturbam-no. Prefere trancar-se num quarto, às escuras, não ouvir ninguém e ficar muito quieto. O que está a sentir não é uma cefaleia comum, é uma enxaqueca.
Porquê você?
A ciência médica ainda não sabe explicar porque é que algumas pessoas sofrem de enxaqueca. Porém, sabe-se que, de um modo geral, há maior probabilidade de se sofrer de enxaqueca quando existem outros familiares com o mesmo problema. Sofrerá de enxaqueca durante um período da sua vida, mas não se pode dizer quanto tempo isto durará independentemente do que fizer. Se possui predisposição para ter enxaquecas há algumas coisas que podem levar ao aparecimento da dor, como: stress, alterações bruscas da temperatura ambiente e do clima, alguns alimentos (chocolate, queijo, citrinos, azeitonas, etc.) e bebidas (especialmente álcool). As mulheres sofrem mais com a enxaqueca do que os homens numa proporção de 3:1; a menstruação pode ser um factor desencadeante da dor.
Só o próprio sabe o que sofre
Cerca de 5 a 6 % da população sofre de enxaqueca. Este número pode ser maior pois nem toda a gente vai ao médico para a tratar. Existem muitos preconceitos em relação à dor de cabeça. Aparentemente uma pessoa parece normal, não há como mostrar que a dor existe, portanto esta pode parecer uma desculpa. Muitas vezes a pessoa com enxaqueca aprende a tolerar a dor por longos períodos.
Só o próprio sabe o que sofre, por isso vença as suas dificuldades e comece a encarar a enxaqueca como ela merece. Procure o seu médico e converse com ele sobre isto.
O fim do túnel
A enxaqueca pode tornar grande parte da sua vida numa tortura. A maioria das pessoas convive com ela durante muito tempo. Quando acaba uma crise, tudo o que se pode esperar é vir outra, não se sabendo exactamente quando isso acontecerá. Quando está num período com muitas crises ou tem uma crise muito intensa, para piorar as coisas, aparece um sentimento de culpa que o faz sentir-se um peso para todos os que o cercam. Já tentou vários tratamentos mas acaba por desistir. Antes de mais nada não tenha uma atitude pessimista, há tratamento para a enxaqueca e o seu médico poderá ajudá-lo.
Existem duas formas de tratar a enxaqueca. Uma preventiva, que tem como objectivo evitar as crises ou diminuir a sua intensidade e frequência. A outra forma é tratar a crise quando está com a dor. Converse com o seu médico sobre isto.
CLASSIFICAÇÃO DAS CEFALEIAS, NEVRALGIAS CRANIANAS E DORES FACIAIS
1. Cefaleias Primárias
2. Cefaleias tipo tensão
3. Cefaleia em salvas e outras cefaleias trigémino-autonómicas
4. Outras cefaleias primárias
5. Cefaleia atribuída a traumatismo cranio-encefálico e/ou cervical
6. Cefaleia atribuída a doença vascular craniana ou cervical
7. Cefaleia atribuída a perturbação intracraniana não vascular
8. Cefaleia atribuída a substâncias ou sua privação
9. Cefaleia atribuída a infecção
10. Cefaleia atribuída a perturbação da homeostase
11. Cefaleia ou dor facial atribuída a perturbação do crânio, pescoço, olhos, ouvidos, nariz, seios perinasais, dentes, boca ou outras estruturas cranianas ou faciais
12. Cefaleia atribuída a perturbação psiquiátrica
13. Nevralgias cranianas e causas centrais de dor facial
14. Outra cefaleia, nevralgia craniana e dor facial central ou primária
Retirado de "Classificação Internacional de Cefaleias", Sociedade Portuguesa de Cefaleias, 2ª Edição (1ª Revisão), 2007.
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Data de Emissão: 26 Agosto 2008