A demência consiste numa perda das funções mentais, geralmente associada com a idade avançada, envolvendo problemas com a memória e o raciocínio. A demência é uma perda de capacidades mentais suficientemente grave para interferir com a capacidade de uma pessoa agir normalmente no trabalho ou em sociedade. É caracterizada por um defeito nas memórias de curto e longo prazo, e pela desintegração da personalidade devido a alterações no discernimento e no julgamento. A demência é um problema sério de saúde pública, com impacto importante em milhões de pessoas afectadas e nas suas famílias.
Os sintomas da demência não são o resultado da idade avançada. A perda grave da memória não é uma consequência habitual do envelhecimento. Mais ainda, os sintomas são devidos a doenças do cérebro, que parecem ser mais comuns em pessoas mais velhas. Os sintomas da demência podem ser estáticos ou progressivos dependendo da doença subjacente e do modo como é tratada. A demência estática segue-se geralmente a uma única agressão importante como por exemplo um traumatismo ou um ataque cardíaco grave. Não progride na sua gravidade permanecendo estável. No entanto a demência progressiva progride com o tempo. Este tipo de demência é encontrada em várias doenças cerebrais.
Quer ocorra repentina ou gradualmente, a demência causa muitos sintomas incapacitantes, incluindo:
- Perturbação da memória
- Mudança da personalidade
- Diminuição do discernimento e do controlo dos impulsos
- Confusão ou desorientação
- Depressão, paranóia ou ansiedade
- Diminuição da iniciativa
- Deterioração da capacidade intelectual
- Comportamento obsessivo ou paranóia
- Delírios ou comportamentos psicóticos.
A característica chave é o declínio das funções intelectuais, interferindo significativamente na vida social e nas actividades diárias.
Há muitas circunstâncias que podem contribuir para o desenvolvimento de problemas da memória e demência, mas a doença de Alzheimer e a demência vascular (multi-infartos) são a causa da maioria das demências nas pessoas idosas. Na demência vascular os sintomas são causados por reduções, a longo prazo, no fornecimento de sangue ao cérebro. Por vezes a doença de Alzheimer e a demência multi-infartos ocorrem simultaneamente. Outras causas possíveis de sintomas semelhantes aos da demência incluem infecções, interacções medicamentosas, doenças metabólicas ou alimentares, tumores cerebrais, depressão, ou doenças progressivas como a doença de Huntington e a doença de Parkinson. A demência é também um sintoma observado nos doentes com SIDA nos estados mais avançados da doença.

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É claro que o factor de risco principal para a demência é a idade. Aproximadamente 3% dos homens e mulheres com idades entre os 65 e os 74 anos sofrem de demência mas, após os 65 anos, a percentagem de pessoas com demência duplica aproximadamente em cada década de vida. A proporção de pessoas com 85 ou mais anos com demência situa-se entre 25 e 35%. No entanto, é importante compreender que a demência é uma doença da idade mais avançada, e não faz parte do envelhecimento normal. É também claro que, se a população mais idosa cresce em todo o mundo, o número de pessoas com demência também aumentará. Se a actual tendência da população continuar, o número de pessoas com demência poderá duplicar em cada 20 anos. Actualmente as causas de demência não são ainda conhecidas e não se conhece a cura.
Frequentemente, os cônjuges ou outros membros da família fornecem os cuidados quotidianos às pessoas com demência. À medida que a doença piora as pessoas tendem a necessitar de mais cuidados. Isto pode exigir muito dos prestadores de cuidados, e pode afectar-lhes a saúde física e mental, a vida familiar, o trabalho e as finanças. Tratar um paciente com demência é muito caro, quer viva a pessoa em casa, quer num lar onde lhe prestem cuidados. O impacto económico da demência é grande, crescendo rapidamente. Isto deve-se ao custo directo dos cuidados de enfermagem, assim como aos custos indirectos, tais como a perda dos proventos pelos doentes e seus familiares.

A base biológica da demência
O cérebro tem centenas de biliões de células nervosas (neurónios), cada uma podendo ter milhares ou centenas de milhares de conexões com outros neurónios. Dentro e entre estas células viajam dúzias de mensageiros químicos -neurotransmissores, hormonas e factores do crescimento - os quais permitem que cada neurónio troque informações com os seus vizinhos numa vasta rede de comunicações. Nalgum lugar neste complexo sistema encontra-se a causa da demência. Acredita-se que a demência altere o pensamento e a memória afectando a transferência de informação entre os neurónios.
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Emitido em: 26/08/2008